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Para nós cristãos é comum chamar Jesus de Mestre e Ele de fato é o nosso

mestre. Mestre é aquele que ensina, educa, instrui, ou seja, o que mostra o caminho.

Jesus é o mestre por excelência, pois seu ensinamento parte de sua própria vivência.

É o mestre que ensina não só mandando que os outros façam, mas, antes Ele faz.

Ensina-se que devemos amar, mas antes Ele ama; ensina-se que devemos perdoar,

e antes, Ele perdoa. Jesus é “Raboni” que quer dizer: Mestre (Jo. 20,16). É chamado

também de conselheiro, Príncipe da paz, Pai da eternidade.

No evangelho segundo João, há um grande ensinamento de Jesus que precisamos

dar toda atenção: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na

terra, não morrer, fica só; se morrer produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-

la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna (Jo,

Esse ensinamento de Jesus é uma provocação nos tempos de hoje, diante da

mentalidade em que o importante é eliminar o outro para se levar vantagem, ganhar

mais, ter mais, ser o primeiro, ficar por cima, ou seja, o que o mundo ensina é

completamente diferente do que nos ensina Jesus. Cabe, portanto, a cada um de nós,

saber a quem queremos ouvir: a Jesus ou ao mundo com suas concupiscências?

O ensinamento de Jesus pode até parecer absurdo se não o entendermos bem,

mas, se mergulharmos mais a fundo, veremos que tem uma lógica racional e

espiritual. Racional porque é possível compreendê-la com a mente, com a inteligência,

e espiritual porque toca na alma, no interior do coração humano, toca no espírito do

homem, dando-lhe vida nova. Todos sabem que a semente só dá fruto se cair na terra

e morrer. Mas, Jesus não está nos ensinando a plantar semente no sentido exato, está

nos ensinando a morrer para este mundo e viver a vida espiritual, ter vida plena, vida

Ao nos ensinar a morrer para este mundo, Jesus nos mostra como fazer isso: Ele

mesmo morre e é depositado no chão, como que plantado na terra. Ele se entrega, se

aniquila completamente, derrama seu sangue por amor a mim, por amor a você para

que não morrêssemos para sempre.

Ao ver cada um de nós morrendo no pecado, nos nossos apegos, nas nossas

escravidões, Jesus, num ato de amor, aceita ser morto por nós. Nós precisamos

aceitar as perdas, devemos aprender com Jesus a nos desprendermos das coisas

terrenas para ganharmos o que há de melhor: a vida eterna. Ao ressuscitar, Jesus

renasce para viver eternamente.

Em Jesus, somos chamados a morrer, no dia a dia, nas pequenas coisas da vida,

morrer nos desgastando no amor ao outro, morrer em nossas próprias vontades, para

que o outro possa ser melhor. Morrer na luta, no trabalho para sustentar a casa, os

filhos. Morrer em vez de matar; perdoar, reconciliar, colocar-se em missão em favor

dos mais necessitados, enfim, a nossa vida é uma passagem, vamos consumindo-nos

como vela no altar. Como rio se entrega ao mar, vamos morrendo a cada dia, sabendo

que renasceremos para uma nova vida.

Como uma boa semente, cuidemo-nos de deixar nos desgastar, consumir-nos para

Aloísio Neves