Guia prático para famílias que convivem com a dependência química
COMO LIDAR COM RECAÍDAS SEM PERDER A FÉ
Roseli Carvalho
Roseli Carvalho – Especialista em Dependência Química e Famílias
COMUNIDADE REVIVER
COMO LIDAR COM RECAÍDAS SEM PERDER A FÉ
Guia prático para famílias que convivem com a dependência química
Autora: Roseli Carvalho
Especialista em Dependência Química e Atendimento à Famílias e Comunidade
Estou há mais de 20 anos atuando diretamente com dependentes químicos e suas famílias e confesso que ainda não consigo naturalizar a recaída de alguém que aparentemente estava indo em um processo excelente de recuperação. Mas algo eu aprendi durante esta jornada: a recaída não é o fim, para muitos ela é o começo, principalmente para aqueles que estão em um tratamento/acolhimento em uma Comunidade Terapêutica pela primeira vez. Por isso compartilho com você, familiar, que fique tranquilo(a), que sinta sim seus medos, mas que isso não lhe adoeça na alma e no corpo.
Sei bem que conviver com a recaída de alguém que amamos é uma das experiências mais dolorosas para uma família. Este material foi criado para oferecer orientação, fortalecimento emocional e espiritual, ajudando as famílias a atravessarem esse momento com limites saudáveis, apoio e esperança. A recaída não é um fracasso. Ela indica que algo precisa ser reorganizado. Falamos sempre sobre isso no nosso grupo de família que acontece todas as quintas-feiras às 19h15, na Sede da Comunidade Reviver (Rua Tabaiares, 30 – Floresta). Como nem todos conseguem estar presentes, elaborei este material para que possa chegar ao máximo de pessoas possível e eu espero de coração que todos que o receberem possam ser ajudados de alguma forma com esse conteúdo que mistura anos de estudo, anos de grupos, anos de escuta, anos de acolhimento, anos de Comunidade Terapêutica e anos de amor pelo que faço.
Mas afinal, o que é recaída? Recaída é quando a pessoa, depois de um período de melhora ou abstinência, volta a apresentar o comportamento do qual estava tentando se afastar. Isso já nos indica que a recaída não começa quando a pessoa volta ao uso do tabaco, álcool e/ou outras drogas, mas quando muda os comportamentos – retorna a comportamentos e hábitos antigos.
No contexto da dependência química ou emocional, recaída significa retomar o uso da substância ou o padrão de comportamento (como beber, usar drogas, se envolver em relações adoecidas, voltar a atitudes compulsivas), mesmo após tratamento, acompanhamento ou decisão de mudança.
1. A RECAÍDA NÃO É UM FRACASSO
Quando a recaída acontece, é comum que a família sinta que todo o esforço anterior foi em vão. Surgem pensamentos como: “Nada adiantou”, “Falhamos novamente” ou “Nunca vai mudar”. Esses pensamentos, embora compreensíveis, não correspondem à realidade do processo de recuperação.
A dependência química é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Isso significa que o caminho da recuperação raramente é linear. Existem avanços, pausas, recaídas e retomadas. A recaída não apaga o que foi construído; ela revela que, naquele momento, a dor emocional, os gatilhos ou as pressões internas e externas ultrapassaram as ferramentas disponíveis. Mas o que foi construído seja pelo adicto (usuário do álcool e/ou de outra droga) ou pela sua família, que também precisa entrar no processo de recuperação, não foi em vão, foi válido, mas não foi totalmente validado naquele dado momento.
Mais do que um sinal de fracasso, a recaída é um sinal de alerta. Ela indica que algo precisa ser revisto: estratégias, limites, rede de apoio, acompanhamento profissional ou até a forma como a família está lidando com a situação. Infelizmente há famílias que pensam que só do dependente químico adoeceu. Aceite você que no contexto das drogas, todo o sistema familiar adoece junto, mas poucos reconhecem que também precisam de ajuda.
É importante compreender que:
- Houve aprendizado antes da recaída.
- Houve esforço real.
- Houve passos importantes que continuam válidos.
DICA DA ESPECIALISTA : A recaída mostra onde o cuidado precisa ser fortalecido, não onde tudo deu errado.
Dimensão da fé
Do ponto de vista espiritual, a recaída também não significa abandono de Deus. Muitas vezes, ela acontece justamente em momentos de fragilidade profunda, quando a pessoa e a família estão exaustas.
A fé não promete ausência de quedas, mas presença e sustentação durante elas. Deus continua agindo mesmo quando não entendemos o processo. Ele trabalha na reconstrução, na humildade, na reorganização e no recomeço.
Atividade prática (para ser feita em família0 – Ressignificando a recaída
Separe um momento de silêncio e reflexão. Cada membro da família responde:
- O que eu senti quando soube da recaída?
- Que pensamentos surgiram imediatamente?
- O que essa recaída está me mostrando sobre meus limites?
- O que ainda está ao meu alcance fazer – e o que não está?
Após esse momento, se houver maturidade emocional, compartilhem apenas o que se sentirem confortáveis, sem interrupções, correções ou julgamentos. Cada um deve acolher o sentimento do outro.
Exercício de fé e entrega:
Em um momento de oração, cada familiar pode dizer em voz baixa ou interiormente:
“Senhor, eu entrego a Ti aquilo que não consigo controlar. Ajuda-me
a não transformar a recaída em culpa, mas em caminho de
reorganização, verdade e cuidado.”
Finalize lembrando juntos: a recaída não define a história — ela marca um ponto onde precisamos cuidar melhor. Isso precisa ser feito em conjunto – anal a família se apoia, ou pelo menos deveria se apoiar.
2. RECONHECER JUNTOS O QUE ESTÁ ACONTECENDO
Um dos maiores perigos após uma recaída é a negação. Quando a família evita falar sobre o que está acontecendo, minimiza os sinais ou finge que tudo está sob controle, o problema tende a se aprofundar silenciosamente. Reconhecer a realidade não é desistir — é assumir responsabilidade emocional e espiritual sobre a situação.
Reconhecer juntos significa sair da negação, do isolamento e do medo. É olhar a realidade com honestidade, sem transformar a conversa em tribunal, ataque ou desespero.
- Consciência: admitir que existe uma recaída e que ela impacta toda a família – primeiro passo.
- Humildade: aceitar que sozinhos não darão conta.
- Disponibilidade: estar abertos a mudanças reais – todos da
família.
DICA DA ESPECIALISTA: Reconhecer não é acusar, não é vigiar excessivamente e não é punir. É dizer com maturidade: “Algo saiu do eixo e precisamos reorganizar juntos.”
Algumas atitudes, mesmo bem-intencionadas, dificultam esse processo:
- Fingir que nada está acontecendo.
- Evitar conversas por medo de conflitos.
- Transferir toda a responsabilidade para apenas uma pessoa.
- Agir movido apenas pelo medo ou pela raiva.
Essas posturas mantêm a família presa ao ciclo da dor. E ajuda a família a não sair dessa dor.
- Conversas em momentos calmos.
- Linguagem respeitosa e direta.
- Postura de escuta e empatia.
- Clareza sobre sentimentos e limites.
DICA DA ESPECIALISTA: Reconhecer juntos cria base para decisões mais maduras e eficazes.
Atividade prática (para ser feita em família) – Conversa de realidade
Escolham um momento tranquilo. Se possível, estabeleçam regras simples antes da conversa:
- Ninguém interrompe.
- Ninguém acusa.
- Todos podem expressar sentimentos.
Cada membro pode responder:
- O que eu percebo que está acontecendo?
- Como essa situação tem me afetado emocionalmente?
- O que eu temo neste momento?
- O que eu desejo para nossa família?
Se a conversa começar a se tornar agressiva ou confusa, façam uma pausa. Retomar depois também é cuidado.
Reconhecer a realidade é um ato profundamente espiritual. A fé cristã não caminha com a negação, mas com a verdade e aceitação da realidade. Jesus sempre partiu do reconhecimento da realidade para promover a cura. A verdade não condena — ela liberta.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)
Quando a família reconhece juntos o que está acontecendo, abre espaço para a ação de Deus, para o auxílio profissional e para a reconstrução do caminho.
Oração breve
“Senhor, dá-nos coragem para olhar a realidade sem medo. Livra-nos da negação, da culpa e das acusações. Ensina-nos a caminhar na verdade, com amor e responsabilidade.”
Reconhecer juntos é o primeiro passo para sair do caos e caminhar em direção à restauração.
3. BUSCAR AJUDA PROFISSIONAL
Quando a recaída acontece, um erro comum das famílias é tentar resolver tudo sozinhas, movidas pelo medo, pela vergonha ou pela falsa esperança de que “desta vez vai passar rápido”. A recaída, porém, é um sinal claro de que o nível de sofrimento ultrapassou os recursos disponíveis naquele momento.
Buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, fracasso ou falta de fé. É um ato de responsabilidade, amor maduro e proteção para todos os envolvidos.
A dependência química afeta o indivíduo, mas também reorganiza de forma disfuncional toda a família. Por isso, o cuidado precisa ser ampliado.
- Avaliação adequada do estágio da recaída.
- Orientação clara para a família agir com firmeza e cuidado.
- Espaço seguro para expressão emocional.
- Prevenção de decisões impulsivas movidas pelo desespero.
- Redução do risco de agravamento da situação.
DICA DA ESPECIALISTA: Profissionais ajudam a separar o que é responsabilidade da pessoa em recaída e o que pertence à família — evitando sobrecarga, culpa excessiva ou controle adoecedor.
Formas de apoio:
- Terapia individual: para a pessoa em recaída e também para os familiares.
- Terapia familiar: para reorganizar vínculos, comunicação e limites.
- Grupos de apoio: como Al-Anon, Nar-Anon, Amor-Exigente, Grupo de Apoio Reviver, Pastoral da Sobriedade, Pós acolhimento e outros.
- Avaliação médica ou psiquiátrica: quando necessário.
DICA DA ESPECIALISTA: Cada forma de apoio cumpre um papel importante. Nenhuma substitui ou anula a outra.
4. O PAPEL DA FAMÍLIA AO BUSCAR AJUDA
A família não deve assumir o lugar de terapeuta, salvadora ou fiscal. Seu papel é:
- Incentivar o tratamento.
- Sustentar limites.
- Cuidar da própria saúde emocional e física.
- Manter coerência entre discurso e atitudes.
DICA DA ESPECIALISTA: Quando a família se fortalece, o ambiente deixa de favorecer a recaída.
Em conjunto, respondam:
- Que tipo de ajuda precisamos agora?
- Quem será responsável por fazer os contatos?
- Quais profissionais ou serviços já conhecemos?
- Quais horários e recursos estão disponíveis?
DICA DA ESPECIALISTA: Anotem tudo e definam prazos curtos para agir. Recaída pede resposta rápida e organizada.
Buscar ajuda não diminui a confiança em Deus — ao contrário, reconhece que Ele também age por meio de pessoas, profissionais e estruturas de cuidado. A fé não exclui o tratamento; ela o sustenta.
“Carregai os fardos uns dos outros.” (Gálatas 6,2)
Permitir-se ser ajudado é um gesto de humildade e sabedoria espiritual.
Oração breve
“Senhor, dá-nos discernimento para buscar ajuda sem medo. Liberta-nos do orgulho, da vergonha e da ilusão de controle. Conduze-nos às pessoas certas e sustenta-nos neste caminho.”
DICA DA ESPECIALISTA: Família que busca ajuda cresce mais rápido do que o vício.
5. REFAÇAM OS LIMITES DA CASA
Após uma recaída, é comum que a família que confusa entre amar e proteger, entre acolher e permitir. Nesse momento, os limites precisam ser revisitados, fortalecidos e claramente definidos.
DICA DA ESPECIALISTA: Limites não são punições; são instrumentos de cuidado, proteção e organização da convivência.
Quando não há limites claros, a casa se torna um ambiente inseguro, emocionalmente instável e propício à continuidade do adoecimento. Reorganizar os limites é um ato de amor responsável.
- Protegem a dignidade da família.
- Evitam o ciclo de permissividade e culpa.
- Ajudam a pessoa em recaída a assumir responsabilidade.
- Diminuem conflitos repetitivos.
- Delimitam que as regras da casa precisam ser cumpridas.
- Mostra que o adicto não pode fazer na casa o mesmo que faz na rua.
IMPORTANTE: Limites não controlam o outro, mas definem até onde eu posso ir sem adoecer e até onde eu permito que o outro faça o que eu não quero.
DICA DA ESPECIALISTA: Cada família tem sua realidade, mas alguns limites são fundamentais para TODAS as famílias que tem um dependente químico em casa:
- Nenhuma substância dentro de casa – o ambiente familiar precisa ser respeitado.
- Não encobrir consequências legais, financeiras ou sociais – o dependente precisa assumir as consequências das suas ações, sejam quais forem.
- Não mentir para proteger comportamentos nocivos – uma das características do dependente químico é a mentira, a família não pode também entrar neste ciclo – dizer a verdade sempre, mesmo que doa.
- Não tolerar agressões físicas, verbais ou psicológicas – em casos externos peça medida protetiva.
- Manter regras claras de convivência – sua casa, suas regras, quem não tiver disposto a cumprir que saia.
Esses Limites precisam ser claros, possíveis e sustentáveis. Limites que não são cumpridos perdem força e aumentam a desorganização. Só coloque limites que você seja capaz de cumprir, para que você e sua sua palavra não percam a credibilidade.
DICA DA ESPECIALISTA: O ERRO COMUM DAS FAMÍLIAS – Muitas famílias estabelecem limites movidas pela raiva ou pelo medo, e depois recuam por culpa ou pena. Esse movimento contraditório confunde todos e reforça o ciclo da recaída.
Limite saudável:
- É comunicado com calma.
- Tem consequência previamente combinada.
- É sustentado com coerência.
Reúnam-se e respondam juntos:
- Quais limites e regras existiam antes da recaída?
- Quais não foram cumpridos?
- Quais precisam ser mantidos e revistos?
6. PALAVRAS QUE CURAM: COMO FALAR SEM FERIR?
A forma como nos comunicamos pode ferir profundamente ou se tornar um poderoso instrumento de cura. Em momentos de fragilidade, especialmente diante de uma recaída, palavras duras, acusações e julgamentos tendem a aumentar a culpa, o medo e o fechamento emocional. Já uma comunicação baseada no respeito e na empatia cria pontes, fortalece vínculos e favorece a recuperação.
Por isso, é essencial preferir frases que começam com eu sinto e eu preciso. Esse tipo de linguagem expressa sentimentos e necessidades sem atacar, culpar ou desqualificar o outro. Em vez de apontar erros, ela revela o impacto da situação em quem fala, abrindo espaço para o
diálogo.
Quando dizemos ou , assumimos responsabilidade pelos nossos sentimentos e evitamos acusações como ou . Isso reduz defesas, diminui conflitos e permite que a outra pessoa escute com mais abertura.
A comunicação que cura também exige escuta. Falar com amor inclui ouvir sem interromper, sem ironia e sem respostas prontas. Muitas vezes, o simples fato de alguém se sentir ouvido já inicia um processo de restauração interior.
A empatia é um elemento central da comunicação que cura.
DICA DA ESPECIALISTA: Comunicar-se dessa forma não significa concordar com tudo ou abrir mão de limites. Pelo contrário, é uma maneira firme e amorosa de expressar o que se sente e o que se precisa, preservando a dignidade de todos os envolvidos. Palavras ditas com verdade, respeito e compaixão têm o poder de reconstruir aquilo que parecia quebrado.
7. PLANO DE PREVENÇÃO DE RECAÍDAS FAMILIAR (PPRF)
O Plano de Prevenção de Recaídas Familiar (PPRF) é uma ferramenta essencial no processo de recuperação. Ele não é apenas um papel guardado, mas um guia vivo, que caminha junto com a pessoa e sua família ao longo do tratamento e pós acolhimento. Esse plano precisa ser revisto e fortalecido com o tempo, porque a recuperação é um caminho de aprendizado contínuo, com novos desafios e amadurecimentos.
Por meio desse plano, a pessoa e a família aprendem a reconhecer os sinais de alerta que costumam aparecer antes de uma recaída, como mudanças de humor, isolamento, afastamento das práticas espirituais, descuido com a saúde emocional e física ou abandono do tratamento. Quando esses sinais são percebidos cedo, é possível agir rapidamente, buscar ajuda e evitar que a recaída aconteça – por isso é clamado de Prevenção.
Mais do que prevenir quedas, esse plano oferece segurança, orientação e esperança. Ele ajuda a família a não se sentir perdida diante das dificuldades e fortalece a pessoa em recuperação, mostrando que ela não está sozinha nessa caminhada.
CONSTRUAM UM BOM PLANO DE PREVENÇÃO DE RECAÍDAS
Um bom Plano de Prevenção de Recaídas Familiar deve ser simples, prático e feito de forma personalizada para cada pessoa e família. Ele funciona como um “mapa de proteção” para os momentos de maior fragilidade. Em geral, inclui:
1.Situações de risco já conhecidas
Identificar lugares, pessoas, ambientes ou momentos que costumam despertar vontade de usar ou comportamentos antigos. Saber onde estão os perigos ajuda a evitá-los ou a se preparar melhor para enfrentá-los.
2. Emoções e pensamentos que fragilizam
Reconhecer sentimentos como tristeza, raiva, solidão, ansiedade, frustração ou pensamentos negativos que podem enfraquecer a pessoa e levá-la a buscar alívio na recaída.
3. Sinais de alerta precoces
Observar mudanças de comportamento, isolamento, irritação, abandono da oração, das terapias ou dos cuidados pessoais. Esses sinais mostram que algo não vai bem e pedem atenção imediata.
4.Estratégias práticas de enfrentamento
Definir o que fazer quando a vontade aparecer: ligar para alguém de confiança, sair do local de risco, rezar, escrever, caminhar, participar de um grupo de apoio, procurar o terapeuta ou líder espiritual.
5. Pessoas de apoio
Listar nomes e contatos de pessoas que podem ajudar rapidamente: familiares, amigos, padrinho/madrinha de recuperação, terapeuta, equipe da comunidade terapêutica ou líder religioso.
6.Compromissos com o tratamento
Manter consultas, terapias, grupos de apoio, atividades da comunidade e acompanhamento médico. A constância no tratamento é uma das maiores proteções contra a recaída.
7.Cuidados com a vida espiritual, emocional e física
Incluir hábitos que fortalecem: oração, leitura espiritual, descanso adequado, alimentação equilibrada, atividade física e momentos de lazer saudável.
8. Plano de ação em caso de crise
Ter combinado previamente o que fazer se a vontade ficar muito forte ou se a recaída acontecer: quem procurar, para onde ir, como pedir ajuda sem medo ou vergonha.
DICA DA ESPECIALISTA: No PPRF, a família anota quais situações precisam ser evitadas ou enfrentadas com cuidado. E também se as mudanças acima estão acontecendo. A ideia através das anotações é: quando o risco aparece, já saber o que fazer — sem improviso.
COMPROMISSOS ESPIRITUAIS, TERAPÊUTICOS E COMUNITÁRIOS. Esses são pilares que fortalecem o caminho.
Exemplos:
- Terapia / acompanhamento.
- Participação em grupos de apoio (tanto o adcicto, quanto a família).
- Oração, leitura, momentos de fé.
- Atividades na comunidade.
DICA DA ESPECIALISTA: Isso cria rotina saudável, apoio contínuo e menos espaço para recaídas.
ORIENTAÇÕES GERAL:
À medida que a pessoa/família cresce, amadurece e enfrenta novas fases da vida, o plano precisa ser atualizado. O que funcionava no início da recuperação pode não ser suficiente depois. Por isso, revisar o plano é um sinal de responsabilidade e autocuidado, não de fraqueza.
A família também tem um papel importante nesse processo, ajudando a lembrar os combinados, incentivando o uso das ferramentas e mantendo uma postura de apoio com limites claros. O plano fortalece a autonomia do indivíduo e reduz decisões impulsivas em momentos de crise.
Quando tratado como uma ferramenta viva, o Plano de Prevenção de Recaídas (PPR) se torna um aliado constante no caminho da recuperação, promovendo vigilância, humildade e perseverança. Ele lembra que permanecer bem exige cuidado contínuo, escolhas
conscientes e abertura para recomeçar sempre que necessário. E recomeçar juntos!
Reforço que essa ferramenta deve ser revisada periodicamente. O PPR é uma ferramenta utilizada também com os acolhidos em processo de tratamento na Comunidade Terapêutica, por isso a importância da família também buscar trabalhar essa ferramenta com o núcleo familiar. Observem que não é algo para o dependente viver e fazer sozinho, a família é fundamental neste processo.
OBSERVAÇÃO: A família que tiver interesse podemos marcar para montar esse plano juntos. Pode ser quando o acolhido estiver no período de Reinserção Social para que ele participe também.
8. AUTOCUIDADO É PRIORIDADE
Cuidar de si não é egoísmo, é responsabilidade. Ninguém consegue sustentar o outro, oferecer apoio verdadeiro ou permanecer firme em momentos difíceis quando está emocionalmente esgotado. O autocuidado é a base para qualquer relação saudável, especialmente quando se convive com o desafio da dependência e do risco de recaídas. Como sempre digo no grupo:
“mesa sem perna, não serve de apoio para ninguém – nem para si mesma”.
Muitas famílias colocam todas as suas forças no outro e acabam se esquecendo de si mesmas – são co dependentes. Com o tempo, surgem o cansaço extremo, a irritação constante, a culpa, a sensação de impotência e até o adoecimento físico e emocional. Quando isso acontece, o cuidado deixa de ser amoroso e passa a ser pesado, reativo e, muitas vezes, doloroso para todos.
Autocuidar-se significa reconhecer limites. Significa saber quando pedir ajuda, quando descansar, quando dizer “não” e quando buscar apoio emocional, espiritual ou terapêutico. É entender que não se pode controlar as escolhas do outro, mas é possível escolher como cuidar de si.
Esse cuidado envolve atitudes simples e profundas: alimentar-se bem, dormir, manter momentos de lazer, cultivar amizades, rezar/orar, ir a igreja, fazer terapia, fazer atividade física, participar de grupos de apoio e preservar espaços de silêncio e descanso interior. São esses pequenos gestos que restauram forças e clareza emocional.
Quando a pessoa está cuidada por dentro, ela consegue amar com mais equilíbrio, impor limites com mais serenidade e apoiar sem se anular. O autocuidado não enfraquece o vínculo — pelo contrário, ele o fortalece. Quem cuida de si consegue estar presente de forma mais saudável, firme e compassiva no caminho da recuperação do outro.
MENSAGEM FINAL DA ESPECIALISTA
A recaída, embora dolorosa, não precisa ser o fim do caminho. Quando enfrentada com coragem, ela pode se transformar em um ponto de virada, um convite à reflexão profunda e a um recomeço mais consciente. Em vez de paralisar pela culpa ou pela vergonha, a recaída pode despertar a humildade de reconhecer limites e a necessidade de apoio.
Ninguém vence sozinho. O acolhimento da família, o acompanhamento profissional, a escuta atenta e o suporte da comunidade são fundamentais para atravessar esse momento com esperança. Apoio não significa permissividade, mas presença firme, amorosa e responsável, que ajuda a levantar quem caiu sem empurrá-lo de volta ao erro.
A fé também exerce um papel essencial nesse processo. Ela sustenta quando as forças humanas parecem insuficientes, renova a esperança e lembra que sempre existe a possibilidade de recomeçar. Deus não se afasta na queda; Ele permanece, oferecendo misericórdia, direção e força para continuar.
Quando há coragem para encarar a realidade, apoio para não desistir e fé para confiar no processo, a recaída deixa de ser apenas uma dor e se torna aprendizado. Cada recomeço fortalece a caminhada e aproxima da verdadeira liberdade, construída dia após dia.
Espero que este material seja um apoio na sua caminhada diária, trazendo mais leveza para a sua vida e renovando a esperança nos dias difíceis. Volte a ele sempre que precisar.
Com carinho – Roseli Carvalho
A COMUNIDADE REVIVER EXISTE PARA VOCÊ E POR VOCÊ.
O QUE TEMOS A OFERECER?
Atendimento de individual todos dos dias de 9 as 16 horas. Não é preciso marcar. Rua Tabaiares, 30 – Floresta.
Grupo de Oração: terça-feira 18:30 e quinta-feira 14:30. E outros momentos de oração aos finais de semana, entre na nossa página do Instagram ou facebook e que por dentro da nossa agenda: Comunidade Católica Reviver.
Grupo de Apoio e Fortalecimento Familiar para pessoas que vivem o problema da dependência química e/ou emocional. Quinta-feira as 19:15. Rua Tabaiares, 30 – Floresta.
Grupo de Apoio a dependentes químicos. Quinta-feira 19:30 (online)
Acolhimento social e particular para dependentes de álcool, tabaco e/ou outras drogas. Jaboticatubas/MG. Se você conhece alguém que precisa de ajuda e que queira uma transformação de vida, entre em contato conosco no Whatssap: (31) 99844-4829.
