…”Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” Mt 11, 29-30
Jesus convida os cansados e oprimidos a tomarem o seu jugo, isto é, dividir com Ele as cargas e tribulações que carregam. Isso significa confiar plenamente em seus propósitos e se entregar sem medo em Suas mãos.
Algum tempo antes da passagem do Evangelho de hoje, Jesus havia dirigido uma severa crítica aos habitantes de algumas cidades situadas em torno do Mar da Galileia, como Betsaida e Cafarnaum, porque foram testemunhas presenciais de sua proposta de salvação e mantiveram-se indiferentes. Estavam tomados de orgulho, sentimento de grandeza, convictos de suas certezas e preconceitos e não aceitavam abrir o coração para a novidade de Deus.
Jesus, aqui, manifesta a certeza de que Sua proposta rejeitada pelos poderosos, encontrará acolhimento entre os pobres e marginalizados, desiludidos com a religião oficial vigente e que anseiam pela libertação que Deus tem para lhes oferecer. Ele agradece ao Pai porque escondeu as boas novas dos sábios e entendidos e as revelou aos pequeninos. Os sábios e entendidos são, com certeza, a elite dominante, os fariseus, os Mestres da Lei, que tinham como verdade absoluta a Lei de Moisés e se consideravam justos e dignos de salvação porque a cumpriam minuciosamente e não estavam dispostos a deixá-la ou questioná-la, porque, em sua perspectiva, lhes garantia, automaticamente, a salvação. Os pequeninos são, por sua vez, os discípulos, os primeiros a responder positivamente à oferta do Reino dos céus e, também, os pobres e marginalizados, os doentes, os cobradores de impostos, as prostitutas, os pequenos agricultores, que Jesus encontrava todos os dias, pelos caminhos da Galileia. Eram considerados à margem da sociedade, não cumpridores da Lei, mas que acolhiam, com alegria e entusiasmo, a nova proposta libertadora de Jesus.
O que foi escondido dos poderosos e revelado aos pequeninos é, simplesmente, o conhecimento, ou seja, a experiência íntima e profunda do contato com Deus. Os sábios e entendidos, a elite da sociedade, estavam convencidos de que somente o conhecimento da Lei lhes bastava para ter proximidade com Deus. Apresentavam-se como detentores da verdade, representantes legítimos do Divino, capazes de interpretar a vontade e os planos de Deus. Mas, quem quiser fazer uma experiência profunda e íntima de Deus tem que aceitar e seguir Jesus. Só Ele é o caminho, só Ele conhece profunda e intimamente o Pai. Quem rejeitar Jesus não poderá conhecer a Deus. Esses, poderão, no máximo, criarem para si uma imagem distorcida do Pai e aplicá-la, segundo seus próprios interesses, em suas vidas. Quem aceitar Jesus e se propor a seguir Seus ensinamentos aprenderá a viver em comunhão com Deus, na verdade, na obediência total e aceitação incondicional dos seus planos.
Jesus convida a todos para irem ao encontro dele: “…vinde a Mim…e tomai sobre vós o meu jugo…”. Para a elite da época, a imagem do jugo era aplicada à Lei de Deus, a suprema norma da vida. Para eles, a Lei era um jugo glorioso, que devia ser carregado com alegria. Na verdade, se tratava de um jugo pesadíssimo. A impossibilidade de cumprir, no dia a dia, os 613 mandamentos da Lei, escrita e oral, criava consciências pesadas e atormentadas. Aqueles que não conseguiam seguir, fielmente, sentiam-se condenados e amaldiçoados, afastados de Deus e indignos de salvação. A Lei aprisionava em lugar de libertar e afastava os homens de Deus.
Jesus veio libertar o homem da escravidão da Lei. A sua proposta de libertação se dirige a todos, inclusive àqueles que não acreditavam nela. Ele convida a todos, os pequeninos, mas, também, os sábios e entendidos a acreditarem no seu projeto. A Sua proposta não é reservada a uma determinada classe social em detrimento de outra. Ela se destina a todos os homens e mulheres, sem exceção. No entanto, naquele momento, somente os pobres, oprimidos e marginalizados, os que perderam a esperança no socorro humano têm o coração mais disponível para acolher a proposta de Jesus. Os outros, os ricos e poderosos, estão demasiadamente cheios de si próprios, dos seus interesses, acomodados em seus privilégios, em seus egoísmos, para aceitarem arriscar seguirem a Boa Nova de Deus.
Os homens e mulheres de hoje admiram os sábios, os inteligentes, os ricos e poderosos, os influenciadores digitais e desejam pertencer a esse grupo de pessoas, ou seja, desejam estar na parte de cima da pirâmide social. Com isso acreditam terem a possibilidade de estarem próximos daqueles que criam as regras que governam o mundo, que definem o que é certo ou errado. Mas Deus ensina que o que é realmente essencial é mais rápido percebido pelos pequeninos, pobres e humildes, que estão sempre disponíveis a acolherem os valores e aceitarem os desafios do Reino. Ele garante que a sabedoria e a inteligência não garantem a posse da verdade, nem a salvação. Para obtê-las é necessário ter um coração aberto, solícito e humilde.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dalva Pereira Silva Soares
Ravena 05/07/2026