“Eu vim para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância.” Jo 10,10
O Evangelho deste 4º Domingo de Páscoa apresenta Cristo como o Pastor, vindo com a missão de libertar o rebanho de Deus do domínio da escravidão e leva-lo ao encontro das pastagens verdejantes onde há vida em plenitude. O Plano de Deus para a humanidade vem contradizer o que prega os falsos pastores, cujo único propósito é explorar e extorquir o rebanho em proveito próprio. Jesus vai agir com amor, com respeito absoluto pela identidade, individualidade e liberdade de cada uma das ovelhas.
Jesus é muito claro: os falsos pastores são ladrões e assaltantes, que se valem de suas lideranças para explorarem o povo, usando, inclusive de violência para mantê-los sob seu domínio, nas trevas da escravidão e da morte. Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima. Não entram pela porta, não são enviados de Deus. O seu objetivo não é o bem das ovelhas, mas seus próprios interesses escusos e mesquinhos. Ao contrário, Jesus é o Bom Pastor, que entra pela porta da frente. Ele é o mandatário legitimo enviado pelo Pai. Em Ezequiel (Ez 34,11-12.15) pode-se ver que o papel de pastor primeiramente foi exercido pelo próprio Deus e só em seguida, no momento certo, foi transferido para aquele enviado por Ele, o Messias. Ao apresentar-se como quem entra pela porta, com autoridade legitima, Jesus declara-Se como o representante enviado pelo seu Pai para conduzir o povo escolhido e guia-lo para as pastagens onde há vida em plenitude. Ele entra no redil das ovelhas para cuidar delas, não para as subjugar e oprimir. A sua missão é liberta-las das trevas em que falsos pastores as colocaram e conduzi-las ao encontro da luz libertadora. Ele chama as ovelhas pelo nome, porque conhece cada uma delas. Quer ter uma relação pessoal de amor, de proximidade, de intimidade. Para Jesus não existe multidão, mas pessoas concretas, com identidade própria na sua individualidade, com sua riqueza e dignidade. Ele não obrigará ninguém a segui-Lo, mas aqueles que responderem ao seu chamado farão parte de seu rebanho. A esses Jesus conduzirá para a luz, para a liberdade. Não haverá a opressão da escravidão. Ele veio criar uma comunidade de homens e mulheres novos, livres – a comunidade do novo Povo de Deus.
O pastor irá à frente das ovelhas indicando-lhes o caminho. Elas o seguem com toda a confiança, de todo o coração, no caminho do amor e do dom da vida. Elas obedecem ao comando de sua voz porque reconhecem que somente ela poderá conduzi-las ao encontro da vida definitiva. Jesus também se apresenta como porta. Agora Ele já não é o pastor legitimo que passa pela porta, mas o próprio umbral por onde devem passar as ovelhas que querem andar por caminhos seguros.
O Bom Pastor é uma imagem que transcende o tempo e o espaço e se faz cada vez mais necessária nos tempos atuais. Jesus, o Bom Pastor, não é um líder distante e inacessível. Ele caminha com a humanidade, conhece a luta e as aspirações de cada um e está disposto a se entregar, novamente, pela salvação de todos. Na atualidade, muitas lideranças constituídas, os pastores modernos, os chefes que comandam grandes multidões, caminham na contramão dos ensinamentos do Messias; costumam desconhecer o amor, a empatia, a solidariedade, a compaixão, no exercício de suas atribuições. Agem visando, em primeiro lugar, seus próprios interesses; se impõe pela força do poderio econômico, manipulam os mais vulneráveis, se aproveitam dos fracos e humilham as minorias. Os objetivos gananciosos priorizam o ter em detrimento do ser. A figura do Bom Pastor convida a refletir sobre o serviço da autoridade, em qualquer nível. Propõe como modelo de líder uma pessoa que oferece a vida, que serve, que respeita a liberdade do irmão, que se dedica totalmente e ama gratuitamente. Para os cristãos, o pastor é Cristo. Ele recebeu do Pai a missão de conduzir seu rebanho de homens e mulheres das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. É Ele a liderança absoluta no mundo.
O Papa Francisco afirmou inúmeras vezes que os cristãos devem ser uma “igreja em saída”, que não se contenta em permanecer dentro de suas próprias estruturas, mas que se aventura para fora, ao encontro dos que estão à margem. Este é o coração de pastoreio: ir além, buscar as ovelhas que se perderam e oferecer-lhes um caminho de volta ao rebanho.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dalva Pereira Silva Soares
Ravena 26/04/2026