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Mestre, como é bom estarmos aqui!

Nesse domingo (25), o Evangelho nos leva para o monte Tabor (Mc 9,2-10), lugar da transfiguração de Jesus. Para podermos entender melhor o que o Senhor nos propõe, vou contar um fato que aconteceu comigo. Depois te tanto tentar arrumar um defeito no meu carro, resolvi viajar 270km com ele, para levá-lo em um mecânico de minha confiança. Passando alguns perrengues pelo caminho, cheguei ao meu destino. Descrevi para o mecânico o que estava acontecendo e falei do histórico dos consertos anteriores. Depois de rastrear o carro e certificar do defeito ele me disse: “agora, vou consertar um estrago do conserto anterior, e prevenir contra futuras avarias”. É justamente isso que acontece com a experiencia da transfiguração no monte Tabor.

A narrativa do Evangelista Marcos, se apoia numa frase curtinha registrada no início do versículo dois, mas que não foi contemplada na leitura de hoje. Para melhor compreender, vamos descrever a frase aqui. “Seis dias depois”.

É muito importante ficarmos atento ao que aconteceu seis dias ante da subida do monte. Foi justamente, ainda em Cesareia de Felipe, enquanto Jesus falava de sua morte, que se sucederia em Jerusalém, Pedro, que sempre falava em nome dos demais apóstolos, começou a persuadir Jesus, dizendo que isso não aconteceria. Jesus censura Pedro, repreendendo todo o grupo, dizendo: “Arreda-te de mim Satanás, porque não pensas coisa de mim, mas dos homens.” (Mc 8.33) Para os discípulos que pesavam que tinham boa intenção ao persuadir Jesus a não enfrentar a cruz foi um duro golpe. Eles andaram seis dias com essa espinha de peixe atravessada na garganta, ou seja, aquele fato incomodava.

Por isso, “Seis dias depois, Jesus tomou consigo, Pedro, Tiago e João e os levou a um lugar a parte sobre uma alta montanha e transfigurou-se diante deles” (Mc 9,2). Jesus manifesta diante deles todo esplendor de sua glória. Nessa manifestação, aparece a figura de Elias, representando os profetas e Moises representando a Lei, ambos conversando com Jesus.

Essa manifestação da glória de Jesus trás cura ao coração dos discípulos, que estavam sensíveis a correção de Jesus, e, ao mesmo tempo, os fortalece para suportar o calvário que estava por vir.

Diante de tudo que estava acontecendo, Pedro, sempre em nome do grupo disse: “Senhor, é bom estarmos aqui”. Sim, é bom estar ali, Pedro estava certíssimo, o que não estava correto era a proposta que Pedro fez a seguir: “Vamos fazer três tendas, uma para ti, outra para Elias e Moises”. Há uma grande diferença entre estar ali e ficar ali. Estar ali, comparamos com uma parada que a gente faz numa longa viagem, a gente para, abastece o carro, vai ao banheiro e a lanchonete para se alimentar, depois seguimos para o nosso destino. Ficar ali, é se estabelecer num lugar, que por mais belo que seja, é provisório. Para chegar ao destino, ao paraíso, é precisou subir a estrada abrutalhada do calvário.

Nós temos a tendência de querer permanecer no provisório, temos muito medo de atravessar o vale escuro da dor, da humilhação. Queremos vestir o manto da glória de Deus, sem vestir o manto das humilhações de Cristo. Queremos encher a talha do nosso coração com a glória do Altíssimo, sem deixar a dor da paixão de Cristo se entornar no nosso coração.

Veja o registo sutil do Evangelista Marcos, ao reagir a proposta de Pedro em relação as tendas: “Pedro não sabia o que dizer” (Mc 9,6a). Isso mesmo, e porque ele não sabia o que dizer, “Pois estavam todos com muito medo” (Mc 9,6b). O medo nos deixa paralisados e tomamos decisões erradas e precipitadas. Para nos libertarmos do medo que nos paralisa, que nos impede de construir o Reino de Deus, ainda que provisório nesse mundo, enquanto caminhamos na esperança do Reino definitivo; é preciso ouvir a voz que sai das nuvens da Sagrada Escritura, pois ela continua dizendo para nós, que devemos ouvir a única Palavra do Pai, o Verbo eterno, que do alto da cruz, por sua por sua paixão e morte, nos da acesso definitivo ao paraíso.

Texto: Vitório Evangelista Chaves

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