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“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Mt 16,13

“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Mt 16,13

No Evangelho de hoje Jesus dirige aos seus discípulos uma série de questionamentos sobre si mesmo. Não se trata, aqui, de querer saber como estava a sua popularidade, mas de esclarecer, ainda mais, o seu projeto para o mundo e confirmá-los na opção de segui-LO e acreditarem no Reino dos Céus.

Os homens estavam vendo Jesus como uma continuidade do passado, como seguidor de João Batista, Elias, Jeremias ou outros profetas. Não entendiam, ainda, a originalidade do Filho de Deus. Reconheciam, apenas, que Jesus é um homem convocado por Deus e enviado ao mundo com uma missão, como os anteriores. Na perspectiva dos homens Jesus é, apenas, uma pessoa boa, justa e generosa que escutou os apelos de Deus e se esforçou para ser um sinal vivo, como tantos outros antes d’Ele. Esta percepção humana é grande, mas não é o suficiente: significa que os homens não entenderam a originalidade, a novidade do Messias, nem a profundidade do Seu Mistério. A opinião manifestada pelos discípulos vai muito além da opinião comum. Pedro, porta-voz do grupo, resume o sentir da comunidade do Reino na expressão: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Isso significa reconhecer que Ele é o libertador que Israel esperava, enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salvação definitiva. Reconhecem que Jesus vive em total comunhão com o Pai e que tem a missão única de implantar em definitivo o projeto divino para a salvação dos homens.

Jesus responde a confissão de fé da comunidade dos discípulos felicitando a Pedro e com ele a todos que acreditam, lembrando que tudo é dom de Deus. Essas pessoas que creem se contrapõem aos poderosos, líderes políticos e religiosos, convictos de suas certezas, seguranças e preconceitos, incapazes de abrirem o coração aos desafios do Pai.

No mundo contemporâneo muitas pessoas veem em Jesus um homem bom, generoso, atento ao sofrimento dos outros, que sonhou com um mundo harmonioso; outros veem n’Ele uma pessoa admirável, de moral ilibada, que tinha uma proposta de vida interessante, mas que não conseguiu impor seus valores; alguns o veem como um admirável influenciador, que acendeu a esperança nos corações carentes e órfãos, mas que está fora de moda, no mundo materialista e imediatista atual; outros ainda veem em Jesus um revolucionário, ingênuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginalizados, mas que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter seus privilégios. Todas essas visões apresentam Jesus apenas como um homem, embora vendo nele uma figura excepcional, que marcou a história e deixou um legado imortal. Mas Jesus não foi apenas um homem de sucesso que deixou sua pegada pelo mundo, como tantos outros que os livros de história apresentam. Para os discípulos de todos os tempos, homens e mulheres, Jesus foi bem mais do que um homem. Ele foi e é o Messias, Filho de Deus vivo. É o enviado que veio ao mundo com uma proposta de salvação e vida plena, destinada a todos. Veio para transformar a vida, tornar cada homem e cada mulher em uma pessoa renovada, capaz de caminhar ao encontro de Deus sem medo. A diferença entre o Homem Bom e o Messias, Filho de Deus é a mesma entre alguém que se admira pelas suas qualidades e alguém que pode transformar a sua vida. Jesus é o único homem, pela sua condição de Divino, com a capacidade de renovar definitivamente a vida das pessoas. Ele é o canal de união com Deus.

“E vós quem dizeis que Eu sou?” Esta pergunta deve ecoar sempre nos ouvidos e corações dos cristãos. Respondê-la significa se voltar para dentro de si e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na sua existência, o significado de Cristo em sua vida, a importância que dá às suas propostas e qual é o papel que Seus valores ocupam nas suas opções de vida. A principal lição do Evangelho de hoje é colocar no coração de cada cristão o seguinte questionamento: Quem é Cristo para mim?

A igreja que Jesus implantou e colocou aos cuidados de Pedro e seus sucessores, não existe para ser estática, onde a comunidade fica parada contemplando o céu. Ela deve ser uma comunidade dinâmica, sempre em movimento, para levar a todos, independente de raça ou religião, a proposta de salvação. O Cristão deve ter consciência da dimensão profética e missionária da igreja. Todos os dias, todos os momentos da vida, em casa, no trabalho, na escola, na rua, nos eventos sociais, são ocasiões de apresentar o Projeto de Deus para a humanidade. A igreja é uma organização estruturada, pronta para a missão, onde existem pessoas que presidem e desempenham o serviço de autoridade. Mas, em nenhum nível da administração, a autoridade é absoluta. Ela deve ser exercida constantemente na escuta, no amor e no serviço.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dalva Pereira Silva Soares

Ravena 28/06/2026

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