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“Quero misericórdia e não sacrifício. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13)

“Quero misericórdia e não sacrifício. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13)

O Evangelho de hoje é um chamamento firme ao seguimento de Jesus. Na primeira parte vê-se o chamamento de Mateus, na segunda vem a descrição de um banquete na casa deste, atitude criticada pelos fariseus, cuja religiosidade e piedade eram mais no campo superficial, no campo das aparências.

Os cobradores de impostos eram conhecidos como pecadores contumazes que, além de estarem a serviço do tirano imperador romano, tinham a fama de explorarem os menos favorecidos. Eram comparados aos ladrões, aos assassinos e às prostitutas, ou seja, eram tidos como a ralé da sociedade. Eram pessoas desprezíveis, apesar de serem economicamente bem-sucedidas, consideradas impuras, amaldiçoadas por Deus e, portanto, fora dos critérios de salvação. Os fariseus muito ciosos de sua “santidade”, rejeitavam-nos e seguiam outro caminho quando viam algum deles vir a seu encontro em via pública.

Diante do exposto acima, pode-se perceber a balbúrdia criada por Jesus. Ele não só chama um cobrador de impostos para compor o seu grupo de discípulos, como também aceita sentar-se à mesa com ele, criando assim, um laço de familiaridade, fraternidade e comunhão. Essa atitude de Jesus é, não só um desrespeito à moral e aos bons costumes da época, mas uma verdadeira provocação.

Cabe lembrar que o chamamento a Mateus não se difere muito do chamamento de outros discípulos: fala-se sempre de homens que estão trabalhando e quando Jesus chama deixam tudo para segui-Lo. Esses são sempre homens comuns, pessoas normais, não são dotados de super poderes, vivem uma vida normal, trabalham, lutam, riem e choram. No entanto não hesitam ao ouvirem o chamado do Mestre. Aceitam segui-Lo, escutar suas lições e imitar os seus exemplos de vida. É isso que Jesus espera também de Mateus e esta aceita prontamente, sem objeções ou questionamentos, em uma adesão plena, total e radical ao projeto do Mestre. Aqui se vê o verdadeiro caminho do discípulo e esta atitude pode ser chamada de fé.

No chamado a Mateus, no entanto, existe um dado novo a ser observado, em relação aos outros discípulos: aqui o escolhido é um cobrador de impostos, pessoa, como já visto, excluída da vida social e religiosa do Povo de Deus, já denominada pecadora, sem possibilidade de salvação. Jesus, no entanto, pretende demonstrar que na casa do Pai há lugar para todos, mesmo aqueles condenados pelo mundo. Deus tem uma proposta de salvação para apresentar a todos homens e mulheres, sem exceção; Ele não separa os bons dos maus, todos têm a mesma oportunidade, basta estarem dispostos a acolher e seguir o Seu projeto.

O Evangelho traz também outra contenda entre Jesus e os fariseus: após a aceitação e inclusão de Mateus no grupo de discípulos, Jesus ainda sentou-se à mesa com ele e outros publicanos para um banquete de confraternização. O banquete era, para a mentalidade judaica da época, o lugar de encontro e fraternidade, onde os convidados estabeleciam laços de comunhão. Sentar-se à mesa com alguém significa estabelecer laços profundos, íntimos, familiares com essa pessoa. Os fariseus, mais preocupados com as aparências, com a superficialidade das relações e dos sentimentos, não entendiam a atitude de Jesus, diante do desprezo que nutriam por aqueles que julgavam pecadores. Por isso, para Jesus, naquele momento, aquela confraternização veio exemplificar, perfeitamente, o projeto que Ele veio implantar no mundo: Um Reino de amor sem limites, de fraternidade e comunhão, sem exclusão. Para sentar-se à mesa com Ele basta estar disposto a segui-Lo.

Todos são chamados a fazerem parte da comunidade do Reino. Deus não exclui nem discrimina ninguém. As formalidades das celebrações, os cultos bem elaborados são de menor importância diante das verdadeiras intenções que cada um leva em seu coração. A liturgia de hoje mostra que não existe cristão de primeira ou de segunda categoria. Existem sim, pessoas que são chamadas e que, respondendo ou não a esse chamado, permanecem membros da mesma família, filhos do mesmo Deus misericordioso, que espera, pacientemente, de cada um, a resposta positiva a seu chamamento.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dalva Pereira Silva Soares

Ravena, 07/06/2026

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