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Solenidade de Pentecostes

“Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espirito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor” 1 Co 12, 4-5

A comunidade cristã de Corinto era entusiasmada e fervorosa, mas tinha muitas dificuldades na convivência, na vivência do amor e da fraternidade entre seus membros. Isso se devia muito a visão que se tinha dos dons especiais ou carismas, concedidos pelos Espirito Santo a diferentes membros da comunidade, para serem utilizados para o bem comum. Os detentores desses dons consideravam-se escolhidos de Deus, os iluminados e assumiam, assim, atitudes de prepotência, autoritarismo e arrogância que não favorecia em nada a convivência harmoniosa e a fraternidade. Assim, os que não tinham sido contemplados com esses dons eram desprezados, considerados cristãos de menor valor, sem vez e nem voz na comunidade.

O apóstolo Paulo percebendo o perigo da situação, se dirige aquela comunidade mostrando a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho, com os ensinamentos de Cristo. Segundo ele, o verdadeiro e maior dom que qualquer cristão deve ter é o que o leva a confessar que “Jesus é o Senhor”; é aquele totalmente dedicado ao serviço para a comunidade. Não há oposição entre Cristo e o Espirito.  Todos os membros da comunidade, apesar da diversidade de dons, são guiados pelo mesmo Espírito que atua em todos. Apesar de exercerem diferentes funções é o mesmo Senhor Jesus, é o mesmo Deus que está presente em todos. Não há, portanto, cristãos de menor importância. A comunidade cristã é um só corpo com muitos membros. Apesar da diversidade de membros e das funções de cada um, o corpo é um só. Em todos os membros circula a mesma vida, pois todos foram batizados num só Espirito. Este Espirito que alimenta e dá vida ao corpo de Cristo promove a união e estimula a fraternidade.

A comunidade cristã forma um só corpo, o corpo de Cristo, que é alimentado pelo Espirito Santo. Embora cada membro possa desempenhar funções distintas, não mais ou menos importantes, mas diferentes, todos devem ter consciência de que todas as peças, todas as engrenagens, todas as pessoas são vitais para a manutenção do grupo. Nenhum membro, independente da função que desempenha, em razão de suas qualidades humanas, pode se considerar depositário de dons especiais, nenhum membro tem maior relevância, maior importância em relação aos irmãos.

Os dons que cada um possui não podem gerar conflitos, divisões e discórdias. Eles devem ser combustível, alimento para reforçar a bem vivencia comunitária. As comunidades devem ser espaços de partilha fraterna, onde a vaidade e o egoísmo não podem encontrar morada. Os sete dons do Espirito Santo são virtudes que auxiliam aqueles que querem viver de acordo com os ensinamentos de Cristo. São eles, segundo Is 11.2:   Sabedoria: capacidade de valorizar as coisas segundo a perspectiva de Deus, afastando o apego excessivo a bens materiais; Entendimento: ilumina a mente para compreender profundamente as verdades da fé; Conselho: discernimento que ajuda a guiar as escolhas diárias, temo como meta, sempre, a vontade de Deus; Fortaleza: coragem e firmeza espiritual para enfrentar as dificuldades, perseguições e provações da vida; Ciência ou conhecimento: capacidade de ver a criação e a própria vida com o olhar amoroso de Deus; Piedade: ter no coração a capacidade para amar a Deus como Pai e aos irmãos com amor fraterno; Temor de Deus: o mais profundo respeito e reverencia a Deus e medo de ofender o seu amor.

É preciso ter consciência da presença do Espirito Santo. É Ele que alimenta, que dá vida e que distribui os dons conforme as necessidades. É ele que conduz a humanidade na sua marcha pela história. Jesus, ao retornar ao Reino dos Céus, anunciou o envio do Consolador. A humanidade, os apóstolos não ficariam órfãos.  Cristo garantiu a presença intima e permanente do Espirito habitando dentro de cada um, de cada discípulo, para guiar, ensinar e consolar. Jesus, enquanto caminhava pela terra, estava limitado a um corpo físico, a estar em um lugar de cada vez. Com o Espirito Santo, após a Sua partida, sua presença passa a ser interior, intima, em cada um que crê; guiando, consolando e orientando a todos simultaneamente.

O Espirito Santo distribui os dons de diversas formas. Não existem dons maiores ou menores; todos são manifestações de amor e da graça de Deus para a edificação da comunidade. Todos os talentos devem ser encarados como serviço. Servir é a forma pratica de demonstrar a Deus o amor e reconhecimento, colaborando como testemunha, para que o mundo sinta a presença e a misericórdia de Jesus. Ninguém possui todos os dons, ou seja, ninguém possui a perfeição em sua natureza humana. Todos, portanto, dependem do amor de Deus e dos irmãos. Isso deve promover uma verdadeira comunhão de corações e aproximar as pessoas do amor do Pai.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dalva Pereira Silva Soares

Ravena 24/05/2026

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